domingo, 10 de setembro de 2017

Cenas de uma realidade silenciosa, cruel e sanguessuga num Pedacinho do Brasil, no Sertão do Ceará

Cenas de uma realidade silenciosa, cruel e sanguessuga num Pedacinho do Brasil, no Sertão do Ceará

    O filho ao visitar a família, enfrenta uma tórrida e tortuosa estrada do interior de um distrito de Tauá, ao chegar na residência, a esposa já chega com ânsias de vômito, devido a viajem, piorando quando ver a qualidade da água que se tem pra beber, o filho um pouco narcista e talvez egoísta pensa:
    __ Eu poderia vir mais vezes, mas com essas estradas, o preço da gasolina e a falta de tempo, fica complicado.
    Não demora muito e o que se segue é a vivência do abandono do homem do campo, razão maior da existência do Nordeste:
    Jenuário, agricultor, aposentado e pequeno criador, logo recebe uma visita de seu vizinho e companheiro de sol, Sebastião:
    __ Cumpadi Jenuário como ocê está de água para os bichos beberem?
    __ Fui oiar hoje, ainda dá pra uns 10 dias.
    __ Pois é, pergunto pro que a minha está acabando também, e vi aqui saber se ocê num quer ajudar alugar uma máquina pra vi cavar uma cacimba, ela já sai da cidade contando a hora de trabalho, leva uma hora pra chegar, uma hora faz minha cacimba e uma hora faz a sua, trabalha a 200 reais a hora, 3 horas dá 600 reais ai agente divide a conta.
    __ Mas meu cumpadi Bastião, meu dinheiro é bem pouquinho, porque eu tenho 2 empréstimo do cartão do aposento que fiz pra fazer um açudinho, mas como não choveu, o açude está seco e meu aposento quase se acabou.
    __  É seu Jenuário eu sei que as coisas aqui estão difícil, mas se agente num se ajudar, vai acabar é com tudo, porque num tem ninguém por nois não.
    __ É verdade e agora com a falta de forragem, vou ter que vender a metade dos bichos pra não morrerem de fome, já estão emagrecendo daqui pouco nem acho mais compradores, e o preço já baixou foi muito.

Ao presenciar a sena, o filho fica envergonhado de ter pensado nas dificuldades da viajem, porém pensa: quem além de mim é responsável por “essa gente”? Existe sindicato dos trabalhadores rurais pensando nisso? Existe uma Secretaria de agricultura em Tauá? E a nível Estadual? Só tem àquelas instituições que cobram do agricultor a vacinação do seu rebanho? Quem é responsável pelo agricultor Nordestino e em especial de Tauá? Como é o currículo das escolas dos filhos do homem do campo?

Obs1.: baseado em fatos reais.  Nomes fictícios.

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